Análise: Huawei Honor, surpreende apenas na duração da bateria

A Huawei é uma empresa chinesa que está presente em todo o Mundo. Ela já está aqui no Brasil há alguns anos como líder em parceria com as operadoras para oferecimento de conexão 3G via modems USB. Este ano a empresa decidiu inovar e expandir os negócios por aqui, partindo para o ramo dos smartphones. O primeiro resultado dessa expansão foi o Huawei Honor, um smartphone mid-end com alguns diferenciais. Será que a empresa acertou e conseguiu fazer um bom aparelho? Veja nossas impressões.
Design
O Honor tem um visual simples e bonito, mas com uma qualidade bem abaixo do esperado. Feito totalmente em plástico, a traseira do aparelho é texturizada, o que dá uma pegada mais firme, mas dá aquela sensação de que, se cair, vai se partir em pedaços. A parte de trás ainda traz a câmera de 8 megapixels com um flash LED, a marca da Huawei e a inscrição “with Google“. A frente do aparelho traz a tela de 4 polegadas, os botões padrão do Android e os sensores de proximidade, luminosidade e a câmera frontal de 0,3 megapixels. Os botões de volume ficam à esquerda enquanto o de ligar/bloquear no topo. O Honor tem poucas conexões físicas, só a do fone de 3,5mm no topo e a micro-USB na base. Com 10.9mm de espessura e 140 gramas, o Honor tem uma tamanho e peso que não incomodam no bolso ou ao usar por muito tempo.
Algo que merece destaque, mesmo com um acabamento meio ruim, é a tela. Ela é feita em vidro e, mesmo sem qualquer proteção contra riscos (ao menos a Huawei não diz nada sobre), ela se mostrou bem resistente, inclusive apoiando-o em mesas com a tela para baixo. O que incomoda um pouco no uso sob luz forte são alguns pontos na superfície da tela, que devem ser para o reconhecimento dos toques.
Hardware
O Huawei Honor tem especificações bem interessantes pela sua faixa de preço, começando pelo seu processador de 1,4GHz de apenas um núcleo. Pode parecer pouco se compararmos com outros aparelhos que têm processador dual-core ou quad-core, mas comparado a aparelhos semelhantes, como o Galaxy S II Lite, o desempenho do Honor é igual e as vezes até superior. Aliado aos 1,4GHz, temos 512MB de RAM que são suficientemente bons para rodar aplicativos do dia a dia, como Twitter e Foursquare, mas também aguenta o tranco de jogos mais pesados, como Angry Birds Space.
A tela do smartphone é de 4 polegadas e tem uma resolução de 854×480 pixels. Não é das mais altas, mas é bem confortável, tanto no brilho e no contraste, como na visualização de pixels na tela, algo bem difícil de perceber, a não ser que você se aproxime bem da tela. Nas conexões o aparelho oferece HSPA+ (conexão 3G), Bluetooth 3.0, Wi-Fi e DLNA (compartilhamento de arquivos via Wi-Fi), além da saída micro-USB. Ele ainda traz uma gama bem completa de sensores, como acelerômetro, sensor de proximidade e luminosidade, gisroscópio e bússola.
O destaque do hardware neste Huawei fica para a bateria. Com 1900mAh, ela é capaz de durar horas com conexão 3G ativa. Em testes de uso normal, com algumas fotos, atualização de redes sociais, notificações push e e-mails, a bateria aguentou 10 horas, deixando ainda uns 30% para não deixar ninguém na mão. Em um uso mais pesado, com centenas de fotos, e ainda com conexão 3G e notificações por push, ela foi capaz de aguentar cerca de 8 horas, sobrando uns 10% para algumas ligações ou mais algumas fotos.
O ponto fraco fica para o armazenamento. Com apenas 2GB de memória interna, fica díficil guardar tudo. Para compensar, o Honor oferece expansão via cartão microSD de até 32GB e mais 16GB de armazenamento na nuvem, no serviço Cloud+ da própria Huawei.
Câmera
A câmera principal do Honor tem 8 megapixels, e devo admitir que ela foi uma grande surpresa. As fotos tiradas ficam com uma qualidade e com cores boas, sem granulação à luz do dia. Quando o flash LED precisa ser ativado, as fotos perdem o foco e ganham granulação. O foco da câmera é muito bom, se ajustando rapidamente à distância do objeto a ser fotogrado, mas por ser automático, não permite que seja definido por configuração por um toque na tela, como é comum nas câmeras de smartphones mais recentes. Uma função bem interessante, mas que infelizmente não funciona muito bem, é a possibilidade de tirar fotos HDR. Neste modo, a câmera captura duas fotos com exposições de luz diferentes e as junta, assim, o resultado final fica com muito mais detalhes do que uma imagem comum. No Honor, as fotos são salvas separadamente, sem ser sobrepostas para maior qualidade e não geram um arquivo .raw.
Os vídeos produzidos com o Honor também são muito bons. Numa resolução máxima de 720p, os vídeos ficam com uma qualidade incrível. O ponto negativo fica para o som capturado. Mesmo com um microfone dedicado – que é bem fácil de ser tampado com a mão – o som fica meio baixo, até com certa proximidade da fonte.
Sistema
O aparelho traz o Android 2.3 Gingerbread. Lá fora ele já vem recebendo a atualização para o 4.0 mas, até o dia em que devolvemos o smartphone, a Huawei ainda não havia liberado o update por aqui.
Como é comum no mundo Android, a Huawei também customizou a interface do sistema. As mudanças não foram tão grandes, mas muito bem vindas. Os ícones ficaram maiores e o menu mais fácil de navegar e modificar, contando com um botão de configurações, permitindo arrastar os aplicativos para outra janela ou podendo desinstalar ali mesmo, sem ter que ir até as configurações do aplicativo, bastando clicar no x vermelho.
A Huawei incluiu funções muito boas no sistema, mas o mais interessante deles é o contador de dados. Ele já é integrado ao sistema e permite que você configure um pacote de dados mensal e um diários para a sua conexão 3G, contando com notificações e até desligamento automático da rede, basta configurar. O aplicativo ainda mostra quantos megabytes você trafegou pelo Wi-Fi.
Um ponto negativo é sincronização, mas esta não é bem referente ao Android. Sei que muitos reclamam de um software proprietário para sincronizar o aparelho com o PC, como acontece com o iTunes da Apple e com o Kies da Samsung, mas depender somente do armazenamento em massa do Android é muito ruim. Um programa para o PC seria uma boa opção para copiar músicas, fotos vídeos automaticamente, além de ter um meio de atualizar o aparelho, coisa que, aparentemente, só pode ser feito pelo próprio smartphone.
Acessórios
O pacote de acessórios do Honor é de dar vergonha, não pelo que vem junto, mas sim pela qualidade dos mesmos. O carregador é a peça que mais parece ter qualidade, já o cabo USB e o fone de ouvido são a prova do que comumente chamamos de “produto chinês”. O cabo USB é duro e parece que vai quebrar quando é desenrolado. Já o fone de ouvido tem um cabo extremamente fino, além de ser muito grande, não encaixando direito no ouvido, além de ter um som um pouco estridente.
Conclusão
O Huawei Honor tem seus pontos positivos e negativos como todo aparelho, mas se levarmos em consideração seu preço e seus diferenciais, como um bateria de longa duração e uma câmera razoavelmente boa, ele pode ser uma boa escolha. Ele é vendido somente na loja online da Huawei, e sai por R$999, o mesmo que o seu concorrente direto, o Galaxy S II Lite, que tem configurações parecidas. No geral, falta um pouco mais de capricho na construção e nos acessórios, e talvez sejam apenas estes pontos que a Huawei precise acertar para poder conquistar mercado e poder realmente concorrer com as grandes marcas já presentes aqui no Brasil.
Galeria
Este post teve a colaboração de Jonathan Fulanetti (@RockNJow). Obrigado.
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