RIM anuncia novo sistema, dois aparelhos e troca nome da empresa em um evento

Há muitos anos que a RIM, Research In Motion, luta para continuar viva nesse mercado super competitivo. A empresa perdeu muitos clientes durante os últimos anos graças à Apple com o iPhone e o Google com o avanço rápido do Android. Hoje, centenas de milhões preferem aparelhos touch de fabricantes como Samsung, Apple, LG, Motorola e outras em vez dos antigos BlackBerrys com teclado físico. Mas, a empresa canadense ainda não desistiu do mercado corporativo.
Durante um evento transmitido em várias cidades ao vivo, o CEO Thorsten Heins apresentou várias mudanças em sua companhia. A primeira é a troca de nome. Até então chamada RIM, agora a empresa tomará o nome da sua linha de produtos móveis, BlackBerry. O nome dos produtos é bem mais famoso e conhecido pelo mundo do que o da companhia por trás do desenvolvimento. Nessa nova época, todo recurso para chamar atenção do consumidor está permitido. Junto, o executivo aproveitou para anunciar a nova versão do seu sistema móvel e ainda dois aparelhos que chegarão ao mercado nos próximos meses.
BlackBerry 10 OS
O sistema continua em aparelhos com teclado físico, mas foi completamente repensado para gadgets somente com telas sensíveis ao toque, que é o caso do Z10, topo de linha bem construído com diversos recursos interessantes para quem utiliza o celular tanto para a vida pessoal quanto corporativa. O sistema funciona à base de gestos, de forma bem semelhante à que a Nokia apresentou com o N9, um celular rodando MeeGo. Fechar aplicativo, acessar o centro de notificações (BlackBerry Hub) e menus, tudo é feito por gestos na tela. Para desbloquear, não precisa apertar botão algum, basta arastar o dedo para cima e a tela volta a funcoonar — acredite em mim, isso é algo que você não conseguirá abandonar depois de ter.
A tela inicial conta com o BlackBerry Hub, oito aplicativos recentemente usados exibidos em forma de widgets e o restante, uma lista dos apps instalados no aparelho — semelhante à springboard do iOS ou menu de aplicativos do Android. Por falar em apps, o sistema chega com a loja lotada com mais de 70 mil aplicativos de terceiros, fora conteúdo musical e televisivo que também está disponível na BlackBerry World. Twitter, Facebook, Foursquare, WhatsApp, Dropbox, Angry Birds e até alguns títulos da EA Games estão disponíveis para os novos aparelhos. O BlackBerry Messenger, que serviu de inspiração para o iMessage da Apple, traz algumas novidades, como videochamadas, inspiradas no Facetime, também da Apple.
Os mapas do sistema não são providos pelo Google e não trazem direções por caminhada ou transporte público, mas há suporte à navegação ponto a ponto, informações de trânsito e rotas alternativas. Não há visão de satélite ou 3D. O jeito é optar por um aplicativo de navegação de terceiros, ou mesmo o Google Mapas ou Nokia Here no navegador.
Para quem trabalha com o aparelho, o sistema oferece dois modos: pessoal e corporativo. Você pode instalar certos apps em cada um dos modos e configurar tudo de forma diferente. No caso do aparelho fornecido pela empresa, a equipe de TI desta fica responsável por configurar e fazer a manutenção do modo corporativo, permitindo que o usuário decida o que fazer com o lado pessoal. Em caso de roubo, furto ou perda, a empresa poderá apagar todas as informações corporativas do aparelho para não comprometer nenhum dados sigiloso. Um recurso bastante interessante e necessário para quem utiliza BlackBerrys.
BlackBerry Z10
O aparelho completamente touch de cara parece bastante com o iPhone 5. Apesar da tela de 4,2 polegadas, o aparelho não é grande o suficiente para tornar o uso com apenas uma mão impossível. A resolução da tela AMOLED é 1280×768, a mesma encontrada no Nexus 4, e por isso a densidade é bem alta, cerca de 356ppp. O processador dual-coe de 1,5GHz da Texas Instruments em conjunto com os 2GB de memória RAM tornam a experiência fluida, e todos que testaram o aparelho não tiveram o que reclamar. A câmera frontal de 2MP faz bem o seu trabalho principal (videochamadas) e a traseira de 8MP parece satisfatória, traz várias opções de edição, inclusive alguns filtros à lá Instagram para compensar a falta do app. O armazenamento interno é de 16GB, mas utilizando um cartão microSD na entrada respectiva, você pode aumentar o espaço significativamente.
O aparelho chega em março por US$199 nas quatro principais operadoras dos Estados Unidos (AT&T, Verizon, T-Mobile e Sprint), inclusive com a tecnologia 4G LTE. A Verizon ainda vai oferecer uma versão branca especial. O aparelho pesa 135 gramas, pouco mais que o novo iPhone da Apple.
BlackBerry Q10
Quem testou disse que o aparelho é bastante semelhante aos antigos BlackBerrys Bold, os mais famosos da empresa. O Q10 foi anunciado ontem também, mas sua demonstração foi bastante limitada pela empresa pelo aparelho não estar pronto para o mercado. Enquanto isso, o Z10 já foi para a casa dos jornalistas para análise. Boatos sugerem que o aparelho com teclado físico chegue ao mercado em abril, ou algumas semanas depois. Os preços também não foram divulgados, e nenhum rumor ousou tentar adivinhar.
O aparelho traz um design bonito e corporativo, mas a parte traseira de vidro torna o gadget ainda mais premium. O hardware, processador dual-core de 1,5GHz, 2GB de RAM, 16GB de armazenamento e bateria de 2.100mAh, prometem fazer o aparelho o melhor do tipo. A tela de 3,1 polegadas é quadrada e traz 720 pixels de largura e altura, e claro, tecnologia Super AMOLED com cores mais vibrantes. O aparelho é touch também, e traz todos os mesmos recursos presentes no Z10, que não oferece o teclado físico.
A Blackberry tem mais essa chance para provar ao público que consegue competir com a Apple, Samsung, Motorola e outras grandes fabricantes que hoje dominam o mercado móvel. As ações da empresa andam em baixa, mas espera-se que com estes anúncios os investidores tenham mais esperanças no que a companhia pode conseguir nesta nova era móvel. A questão é: a BlackBerry vai conseguir obter sucesso com seus novos aparelhos?














