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Pirataria, reinando todos os mares (Foto: Reprodução / Wired)

Pirataria, reinando todos os mares (Foto: Reprodução / Wired)

Lá estava eu, com alguns amigos, conversando. Assunto vai, assunto vem, chegou uma hora que a maioria estava com celulares rodando Android em cima da mesa. Geek viciado em smartphones, logo comecei a falar sobre o assunto, principalmente sobre Android — que por aqui é bastante popular, afinal, aparelhos com preços mais acessíveis rodam o sistema mantido pelo Google.

Começamos a conversar sobre aparelhos, as diferenças — eu sempre explicando, afinal, me “especializo” na área móvel, é a minha predileta — do Android em certos modelos e o hardware. Enfim, tudo sobre Androids. De vez em quando mencionava um app e comentava sobre ele no iPhone. Apesar de não possuir um iPhone, às vezes consigo um por alguns minutos (ou até horas) e faço tudo que “preciso” ali mesmo.

Estávamos conversando sobre jogos, quais nós jogávamos mais, o que era mais legal sobre esse ou aquele outro. Foi aí que comentei que havia adquirido um muito bacana na semana anterior, queria mostrar-lhes o quão interessante a jogabilidade era. Quando falei que tinha comprado um jogo, todos olharam para mim como se eu tivesse dito algo proibido, errado. Fiquei pasmo com a reação de meus amigos. Logo começaram a dizer que eu poderia ter achado o app gratuitamente no Google, que não devia ter pago, que de “de graça é melhor”. Sim, de graça é melhor, mas nem tudo pode ser — seria bom chegar no mercado, pegar o que precisar e sair sem a necessidade de gastar dinheiro algum.

Depois de algumas horas fiquei analisando a situação que me encontrara mais cedo naquele dia. Paguei por algo e me olharam torto, como se isso fosse algo de outro mundo, como se ninguém mais fizesse isso. Chega a ser verdade. Hoje, principalmente no mundo Android, muitas pessoas não pagam pelo que usam, apenas vão em um buscador, jogam algumas palavras-chaves e conseguem de forma gratuita algo que o desenvolvedor cobra pouco (realmente pouco, a maioria dos apps que vejo custam US$0,99, cerca de R$2, menos do que um lanche ali na padaria do outro lado da rua).

Quando mencionei o produto da Apple então, todos foram à loucura. “Quem é louco para comprar um iPhone onde tudo é pago e fechado se existe um Android muito mais barato (repare, ninguém aqui tem Android acima de R$1 mil reais) que faz a mesma coisa e ainda possui todos os apps ‘gratuitos’?” Eu juro que fiquei pasmo quando escutei isso. Sim, mais ainda.

Sinto que eles não entendem como o mundo funciona. Não conseguem entender que existe um desenvolvedor (mesmo que seja uma empresa, continua valendo, afinal, empresas vão à falência) por trás de tudo, que leva muitos dias e noites de trabalho para conseguir criar aquele aplicativo tão útil e bacana por um preço relativamente baixo, em conta. Parecem não entender que se o desenvolvedor não lucrar com o seu trabalho, logo abandonará o projeto, e aquele aplicativo ou jogo tão precioso, tão bacana e divertido, será descontinuado.

Não vou condenar ninguém, afinal, por todo o mundo a pirataria reina. Eu concordo que é preciso testar o app/jogo antes de adquirir, já que muitas vezes não é bem aquilo que esperávamos, contudo, na Play Store o cliente tem até 15 minutos depois da compra para devolver o produto e receber todo o seu dinheiro de volta. Conheço muitos amigos que fazem isso: adquirem um novo aplicativo, testam por alguns minutos e, caso não gostem, estornam dentro do prazo imposto pela Google Play Store (a loja em questão, essa política varia de empresa em empresa). Eu mesmo já fiz isso algumas vezes, e funciona! Então não há bem porque piratear um aplicativo de dois reais, ou um jogo de cinco, o preço é justo.

Infelizmente, muita gente acha ruim quando digo isso. É a vida. Nem sempre tudo é perfeito ou do jeito que deveria ser. Mas e você? Pirateia muitos apps?

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